Vermelho como o céu

Por que só uma única linguagem na escola?

Mirco, que nasceu e viveu até os 10 anos de idade podendo ver o mundo, agora é um menino cego, que precisa se adaptar em escola especial para os que não vêem. Um dia o professor faz uma encomenda aos alunos: “Pesquisem e me apresentem um trabalho sobre as estações do ano”. Criança inquieta e criativa, Mirco, que ainda não domina os recursos de leitura e escrita para cegos, encontra uma solução inesperada: apresenta um trabalho sonoro, com os sons de cada estação do ano. Para seu desapontamento, seu trabalho não é aceito e, pior ainda, ele é fortemente repreendido pelo professor. A lição duramente passada foi que autoria e autonomia são transgressões passíveis de punição.

Mas, felizmente, Mirco não comprou esse “ensinamento” e começou a criar histórias sonoras com um velho gravador que encontra em algum canto empoeirado da escola. Em pouco tempo, vai agregando em torno de si várias outras crianças, que passam a participar ativamente das histórias. Leia mais »

A escola em busca de identidade

Heloisa Padilha

Para preparar a conversa sobre a necessária busca que a escola precisa empreender para se libertar das amarras que a prendem ao século passado, é interessante refletir sobre uma outra instituição que tinha tudo para desaparecer nas dobras da modernidade mas, pelo contrário, renovou-se e encontrou uma nova roupagem e uma nova identidade. Falo sobre o circo.

O circo faturava seu milenar sucesso em cima da exploração dos animais, do risco, do bizarro e dos limites da ação humana. Ver animais realizando feitos inimagináveis, viver a tensão de assistir artistas fazendo malabarismos nas alturas com risco de vida, horrorizar-se ao contemplar seres humanos portadores das mais bizarras deformações e apreciar pessoas se contorcendo, equilibrando ou levantando peso nos confins do limite do possível – esses foram os quatro pilares que levaram legiões de espectadores aos circos através dos tempos.

E eis que de repente, não mais que de repente, três desses pilares caíram ao mesmo tempo no fundo fosso do politicamente incorreto. Sobrou a exploração das ações humanas extraordinárias que também apreciamos nos esportes olímpicos. Como poderia o circo sobreviver com apenas um de seus pilares? Assim, as opções eram: desaparecer ou reinventar-se. Leia mais »

Ensinando a viver

Ensinando a viver

Lidando com um jeito “esquisito” de ser

Abandonado por seus pais, Dennis é um menino que acredita ser de Marte e muitas das coisas que faz são bastante estranhas para os padrões “normais”. Há muitas condutas sociais que Dennis desconhece, o que dificulta bastante a sua adaptação à sociedade e ao ambiente escolar. E, de fato, a escola, aprisionada por seus objetivos e práticas massificantes, falha em ver, nas esquisitices de Dennis, o potencial de decifração do seu mundo interno e acaba por expulsá-lo, declarando-se abertamente não estar preparada para lidar com ele.

David, um escritor de sucesso, é o adulto que está tentando ser o pai adotivo de Dennis e se sente particularmente preparado para entendê-lo não somente pelo fato de ter sido ele próprio uma criança “esquisita”, como também utiliza seu passado fantasioso como base para suas histórias de ficção científica. Ele é a criança “fracassada” e excluída que se tornou um adulto de sucesso. Sabe, portanto, como passar de um estado a outro. Leia mais »

Sociedade dos poetas mortos

Poster do FilmePrincípios e práticas da escola precisam se alinhar

O ano é 1959. No início do filme, a entrada dos alunos no hall de um internato para rapazes fornece imediata e clara mensagem de que a ação se passará em um ambiente austero e tradicional. Os indicadores estão todos lá: a atitude solene de todos os participantes da cena, o impecável uniforme dos estudantes, os estandartes com o brasão da instituição e com os princípios, a entoação do hino da escola.

Quando o diretor abre seu discurso enfatizando os cem anos de fundação da escola e lembrando que esta tem como base os princípios de “tradição, honra, disciplina e excelência”, a informação chega a ser redundante já que tudo ali o prenuncia. O que salta aos olhos é essa magnífica consonância entre o que é dito e o que é feito, ou seja, entre príncipios e práticas. Nesse caso, diz-se que é uma escola alinhada.

Mas eis que a escola contrata um professor de Língua Inglesa que introduz práticas de sala de aula que não se alinham com a identidade da escola. O filme se conduz de modo a levar-nos a tomar partido do professor e, por conseguinte, a condenar a escola. Por mais que sejam fascinantes a metodologia e os propósitos do novo professor, a verdade é que ele distoa da instituição em que aceitou trabalhar. Leia mais »

Estratégias antecipatórias

Alunos desinteressados na aula. Conhece esse filme? A falta de engajamento de muitos alunos nas atividades de sala pode ser revertida se eles forem desafiados a tentar adivinhar quais os efeitos de um certo fato ou fenômeno ou, ainda, o final da história que vai ser contada.

Heloisa Padilha discute a importância de se utilizar estratégias antecipatórias na sala de aula, na seção Matutes da revista CARAMINHADAS. Leia mais »