Entre os muros da escola

Entre ser “igual” aos alunos e ser autoritário, como fica o professor?

Que grande filme! Com tantas nuances de relações interpessoais que desvela, principalmente as de natureza multiculturalista, fica difícil eleger apenas um aspecto para caraminholar aqui… Mas como a relação do professor com a turma oscilou muito entre os eixos vertical e horizontal, esse tema acabou por merecer o foco desta Cineminhola. No imediatismo de tantas situações tensas e desafiantes para os professores nos dias de hoje, fica difícil ter controle sobre tudo o que se diz. Além do mais é irreal pretender ser profissional em todos os minutos de todos os dias. Trata-se aqui, portanto, não de julgar ou prescrever mas de fornecer elementos para que educadores possam incorporar mais um conceito ao seu fazer cotidiano.

A grosso modo, uma relação vertical entre professor e aluno deixa bem claro quem manda no pedaço: é o professor. Por contraste, horizontalizar-se com os alunos significa estar no mesmo nível que eles. Assim dito, pode parecer que uma escola tradicional prefere que as relações professor-aluno sejam verticais, ao passo que uma escola progressista tenderá a adotar uma abordagem horizontal. Mas não é bem assim.

A dimensão vertical não precisa (nem deve!) ser exercida de modo ditatorial, que silencie o desejo e a palavra do aluno. Diferentemente disso e mesmo com o propósito de manter inequívoca a mensagem de que a autoridade é exercida pelo professor, é desejável que o professor ouça seus alunos, consulte-os a respeito de vários aspectos da vida escolar e que considere suas opiniões e comentários ao tomar decisões. Mas espera-se, também, que o professor tome decisões fundamentadas e não motivadas por emoções impulsivas e irrefletidas. Agindo sempre de modo profissional, o professor pode, mesmo numa relação verticalizada, divertir-se com seus alunos no recreio, seja jogando bola, cantando ou contando história. O que não pode é sair do lugar profissional que é pago para ocupar e se tornar tão criança ou adolescente quanto o aluno, misturando-se com ele num bate-boca de igual para igual.

Um exemplo de atuação adequada no eixo vertical por parte do professor François, no filme, é quando ele não embarca na provocação de um aluno que lhe diz para calar a boca por meio de uma citação filosófica. Em vez de se ofender, François aproveita a oportunidade para incentivar esse aluno a contribuir com mais conteúdos desse quilate. Contudo, ele se horizontaliza quando bate um pingue-pongue de sim-e-não com uma aluna que diz que ele pega pesado com a turma, ele responde que não, outra aluna diz que sim e fica por isso mesmo. Há vários outros exemplos de verticalidade e horizontalidade no filme e vale a pena revê-lo para procurar compreender melhor esses conceitos a partir de um filme que brilhou na encruzilhada entre documentário e ficção.

Contribuições dos leitores

  1. Gabriela Meirelles Moore • 15 de junho de 2009

    Ainda não vi o filme, mas agora fiquei com vontade de assistir!

  2. Martha de Souza Cruz • 17 de junho de 2009

    Assisti este filme e confesso que houve uma mistura de sentimentos do início ao fim…
    “Cutuca” a gente!!!
    Muito atual!

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