Quando a ideia desta revista nasceu, ela ainda não tinha nome. Durante um bom tempo, nos referíamos a ela como a “Revista Interativa da Linha Mestra”, enquanto pesquisávamos livros, dicionários e sites em busca de um nome para a nossa revista.
Depois de várias semanas de nomes estranhos e derivações sem graça, chegamos a Caraminhadas. A palavra Caraminhadas vem da combinação de caraminholas e caminhadas. Mas por quê essas palavras? Primeiro, porque a gente gosta de pensar. Pensar sobre todo tipo de coisa, desde educação e escola, até design e tecnologia. E isso nos deixa sempre cheia de caraminholas na cabeça. Segundo, porque a gente nunca para, estamos sempre buscando novos caminhos, sempre caminhando. Portanto, Caraminhadas.
Ideias
Agora que a revista tinha um nome, faltava a tradução visual desse nome, ou seja, o logo. O processo foi pilotado pela designer da nossa equipe, Gabi Meirelles Moore, e começou com vários rascunhos, como estes aqui.

Primeiros Rascunhos do Logo da Caraminhadas
Alguns elementos aqui explorados foram:
- símbolos de pensamento, como cérebro e balão de pensamento usado em quadrinhos;
- espirais para representar a ideia de caraminholas;
- espirais usadas para desenhar um pé (caraminholas + caminhada);
- espirais aplicadas à palavra Caraminhadas.

Mais Rascunhos
Depois desses rascunhos, vieram mais outros.
Nesses rascunhos, a brincadeira foi mais com a palavra Caraminhadas em si. Foram exploradas diferentes maneiras de combinar as letras, e também a combinação de alguns símbolos e formas com a palavra Caraminhadas.
Perguntas
O próximo passo foi a análise dos rascunhos pela equipe da revista. Numa reunião virtual via skype, discutimos nossas opiniões, trocamos ideias e decidimos o que achamos que poderia ser usado e o que não tinha nada a ver.
Mas o mais interessante foram as perguntas que surgiram durante essa reunião, e que resultaram não só no atual logo da revista, como em elementos do projeto visual no site com um todo. O que nos perguntamos foi o seguinte:
- Será que o símbolo e o logotipo precisam andar sempre juntos, ou podemos ter um símbolo separado do logotipo para diferentes situações?
- Será que precisamos usar formas no logo, ou podemos aproveitar alguns elementos visuais desses rascunhos para o projeto gráfico do site, sem incorporá-los ao logo em si?
Soluções

Design da Revista Caraminhadas
Daí surgiram as soluções visuais para o logo e o site da Revista Caraminhadas. Primeiro, resolvemos que o logo seria apenas tipográfico (ou seja, apenas letras). E, para ele, escolhemos um tipo chamado Dead History que é o resultado de dois outros tipos já existentes, um serifado e um não-serifado. Em tipografia, essa é uma combinação inesperada, inusitada e, para alguns, até impossível. Por isso, ela representa um dos aspectos mais importantes da Caraminhadas: o diálogo entre conceitos, ideias e elementos que normalmente não são encontrados juntos, ou cuja combinação ainda é muito superficial.
Além disso, criamos um símbolo para a revista baseado nas formas espirais dos rascunhos. Esse símbolo é usado quando precisamos de uma representação pequena e rápida para a revista. Ele pode ser visto, por exemplo, na página da Caraminhadas no Twitter.
O terceiro item que fecha a identidade visual da revista são os elementos visuais usados em todo o site, que foram concebidos para veicular o paradoxo estilo moriniano (de Edgar Morin) em que caminhamos (ou melhor, caraminhamos!): o complexo diálogo entre a ordem e a desordem, entre o formal e o informal, entre o ser e o vir a ser. Precisávamos de elementos que indicassem que nossas caraminhadas partilham muitas coisas que já conhecemos mas, ao mesmo tempo, deixam clara a mensagem de que não são conhecimentos universais e acabados. E foi assim que usamos texturas em vez de cores chapadas; papeizinhos e etiquetas que sugerem anotações de ideias, pedaços de pensamentos; sobreposição de elementos, papéis e tecidos, aliados a uma paleta de cores rústicas, da terra, para indicar a natureza orgânica do nosso processo de pensar e de criar. Bom, tudo isso dito, fica fácil entender por que elegemos a espiral como a forma que melhor sintetiza esse nosso movimento de construção, desconstrução e reconstrução.

