Ensinando a viver

Ensinando a viver

Lidando com um jeito “esquisito” de ser

Abandonado por seus pais, Dennis é um menino que acredita ser de Marte e muitas das coisas que faz são bastante estranhas para os padrões “normais”. Há muitas condutas sociais que Dennis desconhece, o que dificulta bastante a sua adaptação à sociedade e ao ambiente escolar. E, de fato, a escola, aprisionada por seus objetivos e práticas massificantes, falha em ver, nas esquisitices de Dennis, o potencial de decifração do seu mundo interno e acaba por expulsá-lo, declarando-se abertamente não estar preparada para lidar com ele.

David, um escritor de sucesso, é o adulto que está tentando ser o pai adotivo de Dennis e se sente particularmente preparado para entendê-lo não somente pelo fato de ter sido ele próprio uma criança “esquisita”, como também utiliza seu passado fantasioso como base para suas histórias de ficção científica. Ele é a criança “fracassada” e excluída que se tornou um adulto de sucesso. Sabe, portanto, como passar de um estado a outro. Leia mais »

Sociedade dos poetas mortos

Poster do FilmePrincípios e práticas da escola precisam se alinhar

O ano é 1959. No início do filme, a entrada dos alunos no hall de um internato para rapazes fornece imediata e clara mensagem de que a ação se passará em um ambiente austero e tradicional. Os indicadores estão todos lá: a atitude solene de todos os participantes da cena, o impecável uniforme dos estudantes, os estandartes com o brasão da instituição e com os princípios, a entoação do hino da escola.

Quando o diretor abre seu discurso enfatizando os cem anos de fundação da escola e lembrando que esta tem como base os princípios de “tradição, honra, disciplina e excelência”, a informação chega a ser redundante já que tudo ali o prenuncia. O que salta aos olhos é essa magnífica consonância entre o que é dito e o que é feito, ou seja, entre príncipios e práticas. Nesse caso, diz-se que é uma escola alinhada.

Mas eis que a escola contrata um professor de Língua Inglesa que introduz práticas de sala de aula que não se alinham com a identidade da escola. O filme se conduz de modo a levar-nos a tomar partido do professor e, por conseguinte, a condenar a escola. Por mais que sejam fascinantes a metodologia e os propósitos do novo professor, a verdade é que ele distoa da instituição em que aceitou trabalhar. Leia mais »

Estratégias antecipatórias

Alunos desinteressados na aula. Conhece esse filme? A falta de engajamento de muitos alunos nas atividades de sala pode ser revertida se eles forem desafiados a tentar adivinhar quais os efeitos de um certo fato ou fenômeno ou, ainda, o final da história que vai ser contada.

Heloisa Padilha discute a importância de se utilizar estratégias antecipatórias na sala de aula, na seção Matutes da revista CARAMINHADAS. Leia mais »

Filhos do paraíso

Cartaz do FilmeQuando a moral infantil é mais sábia do que a adulta

O filme apresenta delicioso ângulo de visão de uma vida dura, através dos olhos de duas crianças – o menino Ali e sua irmã Zahra, mais nova do que ele. No início do filme, Ali vai buscar o único par de sapatos de Zahra no conserto mas, por um capricho do destino, estes são inadvertidamente “abduzidos” por um vendedor ambulante.

Sem condição de partilhar com os pais tal infortúnio, as crianças conseguem, por meio de inteligente subterfúgio, se comunicar entre si na frente dos pais sem que estes disso dêem conta. Nessa conversa secreta, não há dúvida entre os irmãos: Ali é integralmente culpado pela desastrosa situação em que coloca Zahra e desde aquele momento fica bastante claro que a única medida que vai reverter tal situação é conseguir sapatos para que Zahra continue indo à escola. Leia mais »

Diagnóstico dos problemas de elaboração de resumo, e sequência didática para ensinar a fazê-lo – Parte III

Heloisa Padilha

Este artigo apresenta a “técnica das reticências numeradas” aplicada a textos escolares, e finaliza a série Diagnóstico dos problemas de elaboração de resumo e sequência didática para ensinar a fazê-lo – Parte I e Parte II.

Princípio da técnica

A técnica das reticências numeradas, que aplicamos a resumo de filmes na Parte II desta série de artigos, pode ser utilizada em qualquer texto escolar porque o nosso pressuposto é o de que nenhum texto está completo, finalizado. Em qualquer um, é possível apontar diversos pontos que poderiam ser expandidos com mais informações ou com elementos linguísticos – adjetivos, advérbios – que dariam mais vida ao texto. Comecemos com um exemplo bem simples. O trecho a seguir aceitaria, sem dificuldade, enxertos (indicados por meio de reticências) nos pontos assinalados com números (daí o nome “reticências numeradas”): Leia mais »