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	<title>Caraminhadas &#187; contextualização</title>
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	<description>A sua revista interativa sobre educação</description>
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		<title>Tempos da aula &#8211; Recursos para disparar a aula</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 22:32:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[EstudiosaMENTE]]></category>
		<category><![CDATA[conhecimentos prévios]]></category>
		<category><![CDATA[contextualização]]></category>
		<category><![CDATA[didática]]></category>
		<category><![CDATA[esquemas de aprendizagem]]></category>
		<category><![CDATA[sala de aula]]></category>

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		<description><![CDATA[Este ESTUDIOSAMENTE abre uma série de três artigos contendo reflexões sobre a aula a partir dos seus tempos.
Uma aula possui, grosso modo, três tempos ou momentos: início da aula, aula propriamente dita e término da aula. Dito assim, parece simplório e irrelevante mas a importância de se recortar a aula se explica pelo fato de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este ESTUDIOSAMENTE abre uma série de três artigos contendo reflexões sobre a aula a partir dos seus tempos.</p>
<p>Uma aula possui, grosso modo, <a href="http://www.linhamestra.com/livros/conversas/mestre.html"><span style="color: #0000ff;"><span style="text-decoration: underline;">três tempos</span></span></a> ou momentos: início da aula, aula propriamente dita e término da aula. Dito assim, parece simplório e irrelevante mas a importância de se recortar a aula se explica pelo fato de que, para podermos planejar intervenções que melhorem de fato a aprendizagem dos alunos, é preciso analisar criteriosamente como as aulas estão sendo dadas.</p>
<p>O recorte temporal em distintas categorias cumpre bem esse papel porque direciona e apura o olhar para os fenômenos que ocorrem em cada parte da aula e isso favorece o desenvolvimento de uma linguagem que dê conta de se falar de modo crescentemente profissional sobre o assunto. O importante é entender que cada tempo da aula, de acordo com sua especificidade, precisa estar comprometido em contribuir para a aprendizagem do aluno, e é preciso saber avaliar como cada um deles está cumprindo esse papel.<span id="more-301"></span></p>
<p>A análise de um conjunto de aulas pode indicar, por exemplo, que as estratégias utilizadas no decorrer da aula estão ricas, variadas e interessantes mas que a ausência sistemática de abertura e de fechamento de cada aula está ocasionando uma falta de costura entre elas. É aquela situação em que os alunos gostam das aulas mas a turma está com excesso de notas baixas. O motivo? Talvez os alunos não estejam conseguindo conformar um conjunto que faça sentido e quando não há sentido a aprendizagem dificilmente acontece.</p>
<p>Feita esta breve introdução sobre os tempos da aula, concentremos aqui a atenção sobre a primeira parte da trilogia, que apresenta e discute o primeiro tempo de aula.</p>
<p>A categoria temporal “início da aula”, que, obviamente, se ocupa dos minutos de abertura, precisa dar conta de três objetivos: (a) contextualizar o tema da aula para os alunos a fim de que compreendam tanto a sua relevância quanto a sua inserção no conjunto de estudos que estão sendo realizados naquela matéria; (b) convocar os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema; e (c) acionar os esquemas de aprendizagem dos alunos.</p>
<p>O termo <a href="http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=55"><span style="color: #0000ff;"><span style="text-decoration: underline;">contextualização</span></span></a> instaurou-se oficialmente no cenário escolar no cenário do nascimento da LDB (Lei de Diretrizes e Bases), em 1996. <strong>Contextualizar um conteúdo para o aluno significa, em linhas gerais, indicar as relações que tal conteúdo mantém com a vida real</strong> (o que, via de regra, o relaciona com diversos conteúdos, tanto dentro de uma mesma área como também de várias outras) e situá-lo historicamente, isto é, explicar como e por que foi criado ou desenvolvido. Todo conhecimento é uma construção humana; nesta condição, apresenta uma inserção na vida humana e isso precisa ser explicitado para o aluno.</p>
<p>Além de contextualizar, é próprio do tempo inicial da aula buscar saber que informações, ideias, crenças etc. os alunos já possuem sobre o tema. Essa iniciativa abriga um rico potencial de dados sobre os <strong>conhecimentos prévios dos alunos</strong>, que pode servir de base para uma avaliação prévia, por parte do professor, do ponto de partida em que eles se encontram em relação ao assunto a ser tratado naquela aula. Assim, pode ser que o professor tenha imaginado que precisaria, ele próprio, trazer certas informações iniciais para os alunos e, nesse momento, perceber que eles já as possuem. Nesse caso, o professor poderá ajustar o seu planejamento e, em vez de trazer tais informações, perceber que precisa, na verdade, ajudar os alunos a levá-las do nível do senso comum para o (cada vez mais) científico.</p>
<p>Finalmente, também cabe ao tempo inicial da aula a incumbência de <strong>acionar os esquemas de aprendizagem dos alunos</strong>. Os esquemas são como ferramentas: é o que se utiliza para realizar alguma ação. Assim, ter esquema para recortar uma gravura com tesoura supõe que se tenha os esquemas de manejar a tesoura em linha reta e em linha curva. Alguma criança terá o esquema necessário para recortar em linha reta mas não ainda em linha curva. Da mesma forma, ter os esquemas necessários para produzir um pensamento crítico em relação à posição de um determinado pensador a respeito do aquecimento global, supõe entender que será necessário compará-la com uma posição contrária, destacando e comentando pontos de semelhança e diferença importantes entre ambas e, a seguir, fechar as ideias apresentadas por meio de uma conclusão.</p>
<p>Não se nasce sabendo fazer esse tipo de coisa. Muito pelo contrário, são necessárias infinitas oportunidades para se aprender a desenvolver esquema complexos como esse. Por isso, é importante assinalar para os alunos que tipo de ação &#8211; sensório-motora, simbólica ou lógica &#8211; se espera dele naquela aula. Há aulas voltadas para a conceituação de algum termo. Em outras, o interesse do professor é que o aluno caracterize certos fatos, fenômenos, personagens etc., ou que construa um sistema de relações de causalidade entre eles. Em cada ocasião dessas, os esquemas convocados são diferentes e muito ajuda se o professor apertar, logo de saída, os “botões” que acionam a aprendizagem a partir do uso de certo esquema ou esquemas.</p>
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		<title>A escola em busca de identidade</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 13:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[EstudiosaMENTE]]></category>
		<category><![CDATA[circo]]></category>
		<category><![CDATA[contextualização]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[interdisciplinaridade]]></category>

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		<description><![CDATA[Heloisa Padilha
Para preparar a conversa sobre a necessária busca que a escola precisa empreender para se libertar das amarras que a prendem ao século passado, é interessante refletir sobre uma outra instituição que tinha tudo para desaparecer nas dobras da modernidade mas, pelo contrário, renovou-se e encontrou uma nova roupagem e uma nova identidade. Falo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Heloisa Padilha</em></p>
<p>Para preparar a conversa sobre a necessária busca que a escola precisa empreender para se libertar das amarras que a prendem ao século passado, é interessante refletir sobre uma outra instituição que tinha tudo para desaparecer nas dobras da modernidade mas, pelo contrário, renovou-se e encontrou uma nova roupagem e uma nova identidade. Falo sobre o circo.</p>
<p>O circo faturava seu milenar sucesso em cima da exploração dos animais, do risco, do bizarro e dos limites da ação humana. Ver animais realizando feitos inimagináveis, viver a tensão de assistir artistas fazendo malabarismos nas alturas com risco de vida, horrorizar-se ao contemplar seres humanos portadores das mais bizarras deformações e apreciar pessoas se contorcendo, equilibrando ou levantando peso nos confins do limite do possível – esses foram os quatro pilares que levaram legiões de espectadores aos circos através dos tempos.</p>
<p>E eis que de repente, não mais que de repente, três desses pilares caíram ao mesmo tempo no fundo fosso do politicamente incorreto. Sobrou a exploração das ações humanas extraordinárias que também apreciamos nos esportes olímpicos. Como poderia o circo sobreviver com apenas um de seus pilares? Assim, as opções eram: desaparecer ou reinventar-se.<span id="more-277"></span></p>
<p>E o circo reinventou-se: o mundo foi subitamente inundado pelos grandiosos espetáculos do <a href="http://www.cirquedusoleil.com/world/pt/br/index.asp">Cirque du Soleil</a>.</p>
<p>Quando entramos em uma de suas tendas, reencontramos, para começar, a própria! Apesar de toda tecnologia, a tenda do Cirque du Soleil é definitivamente uma tenda e só isso já é suficiente para que entendamos claramente que vamos assistir a um espetáculo circense. Mas tem mais: ainda reencontramos palhaços, malabaristas, equilibristas e apresentadores. Só que a semelhança acaba aqui. Então qual foi a reinvenção? O que o Cirque du Soleil fez foi trocar o entretenimento obtido por meio da exploração do perigo, do medo e do asco, pelo entretenimento que vem do Belo. E a tradução que se deu ao Belo combina dois ingredientes: o encantamento das narrativas e a riqueza que eclode do diálogo entre as várias artes.</p>
<p>Como diz <a href="http://www.anamariamachado.com/">Ana Maria Machado</a>, ninguém resiste a uma boa história. E agora o Cirque du Soleil conta histórias, como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Saltimbanco_(Cirque_du_Soleil)">Saltimbancos</a>, <a href="http://www.dvdpt.com/c/cirque_du_soleil_journey_of_man.php">Jornada do Homem</a> ou <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u562422.shtml">Ovo</a>, sendo que esta última, concebida e dirigida por <a href="http://www.ciadeborahcolker.com.br/">Debora Colker</a>, bailarina e coreógrafa brasileira, fala sobre a vida dos insetos. Agora, é no contexto de uma narrativa que os artistas mostram suas extraordinárias habilidades.</p>
<p>Além disso, costuraram-se todas as artes que podem dialogar no contexto de um moderno espetáculo circense. Assim é que se deram as mãos a música, o canto, o ballet clássico, a dança contemporânea, o vídeo, o teatro e todos os seus componentes – figurino, maquilagem, iluminação e cenografia –, tudo isso amplamente potencializado pelos recursos da tecnologia. O diálogo também se dá entre diferentes culturas porque os artistas são captados em países do mundo inteiro e, assim, o circo se beneficia do convívio com a diversidade.</p>
<p>Em resumo, a saída foi buscar fortes ingredientes da cultura contemporânea e fazê-los trabalhar conjuntamente: o <strong>diálogo</strong> entre as artes e entre as manifestações culturais de nações de todos os continentes fornece todo o suporte de que a <strong>narrativa</strong> precisa para acontecer em toda a sua grandeza e <strong>diversidade</strong> e, assim, emocionar a plateia.</p>
<p>Seria coincidência que as palavras mais significativas da orientação legal da educação brasileira atual, a <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/l9394.htm">LDB</a>, sejam <strong>contextualização</strong> e <strong>interdisciplinaridade</strong>? Deixemos o paralelismo mais evidente. Na escola, trabalhar contextualizando os conteúdos significa explorar sua inserção no contexto mesmo em que foram criados ou em que existem. Isso supõe ir trançando uma rede, em que pessoas, fatos, objetos e fenômenos se relacionam por elos de semelhança (relações simétricas, como de pertença a um mesmo contexto) ou de diferença (relações assimétricas de causalidade, por exemplo).</p>
<p>Essas tranças de relações acabam compondo <strong>narrativas</strong>, as quais vão permitindo a criação de significados, em um processo que poderia substituir com grande vantagem as tradicionais práticas de cuspe-e-giz e de memorização, porque conteúdos trançados em redes de conexão que fazem sentido para o aluno são muito melhor compreendidos e retidos como referência do que pedaços isolados de conteúdos.</p>
<p>Por outro lado, à bela ligação das artes no espetáculo circense moderno corresponderia, na escola, a interdisciplinaridade. O <strong>diálogo entre as áreas de conhecimento</strong> pode ser feito tomando-se de empréstimo, umas às outras, conteúdos teóricos (conceitos) ou práticos (métodos, técnicas, procedimentos).</p>
<p>O sucesso de tal diálogo estará garantido quanto mais ele tiver sido realmente necessário para se estudar, compreender e resolver problemas reais. Se os professores puderem estar juntos para pensar e resolver problemas do cotidiano escolar, cada um emprestando seu olhar, poderão vivenciar a riqueza de tal metodologia de trabalho e, assim, compreender a importância da convergência de saberes para sanar as questões que nos afligem ou intrigam: como podemos garantir que todos os alunos se alfabetizem nessa escola? Como ensinar a estudar e a pesquisar?  Qual o sentido do dever de casa para os professores, alunos e famílias? Por que trabalhar com livro didático? Com que critérios se cria uma biblioteca escolar? Como despertar valores como responsabilidade e respeito nas relações interpessoais?</p>
<p>O começo da caminhada em direção à interdisciplinaridade seria, pois, esse diálogo docente sobre o cotidiano. Em seguida, professores se encontrariam para planejar o trabalho conjuntamente, incitando os alunos a estabelecer relações entre conceitos, voltados para compreender e resolver problemas aos olhos do diálogo entre os saberes.</p>
<p>Contextualização e interdisciplinaridade, tal como aqui brevemente delineadas em suas linhas gerais, poderiam ajudar a escola a encontrar uma identidade mais antenada com as mudanças que vieram para ficar na sociedade e que minam seus principais pilares, tal como as narrativas e a religação das artes souberam fazê-lo pelo circo?</p>
<p>E o que precisamos nos perguntar a seguir?</p>
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