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	<title>Caraminhadas &#187; relações interpessoais</title>
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	<description>A sua revista interativa sobre educação</description>
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		<title>Elogio na sala de aula</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 14:12:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
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<p>Você gosta de receber um bom elogio? Pois é, como parece que todo mundo gosta, a prática de elogiar alunos oralmente, diante da turma, ou por escrito, nos trabalhos escolares, tem sido amplamente utilizada por educadores, provavelmente com a intenção de estimular os demais alunos a seguirem o exemplo dos elogiados. Mas será que o elogio atende a esse propósito? Heloisa Padilha discute a eficácia do elogio aqui na seção <em>Matutes</em> da revista CARAMINHADAS.<br />
<span id="more-55"></span></p>
<h3>Transcrição do vídeo</h3>
<blockquote class="video-transcript"><p>Vamos falar sobre o elogio em sala de aula. Devemos elogiar o aluno? Elogiar oralmente, na frente da turma toda? Elogiar por escrito? E se for bom elogiar por escrito, o que escrever? “Que lindo!”, “Parabéns!”, “Maravilha!”, “Continue assim!”. Será que essas falas dos professores, seja oralmente, seja por escrito, será que elas realmente atingem o objetivo de estimular o aluno? Muitos professores dirão: “Claro! Quem não gosta de um bom elogio?”</p>
<p>Mas, na verdade, o elogio é uma ferramenta de heteronomia. Heteronomia significa reger-se pela regra do outro; seguir o que o outro diz, o parâmetro do outro. Eu preciso da presença do outro, da fala do outro, das indicações do outro para poder saber o que eu vou fazer, o que eu posso fazer. E será que isso é o que a gente realmente quer dos alunos?</p>
<p>Na verdade quando a gente trabalha com elogio cria-se uma dependência que pode ser interessante de início, caso você esteja com uma turma muito complicada, mas pode ser um tiro no pé, porque se você não sair dessa condição de elogio, o aluno tenderá a ficar dependendo desse elogio para poder produzir. Isso não é um bom motivo para um aluno realmente criar algum texto, realizar um trabalho de boa qualidade. Na verdade, a recompensa não deveria vir de fora, e sim de dentro, do grande prazer de aprender, do prazer de resolver uma tarefa complexa.</p>
<p>E o elogio, se feito por escrito, ele cria essa dependência de que eu estava falando, e aí você vê aquela fila de alunos de séries iniciais do ensino fundamental, aquela fila de alunos pedindo, querendo o caderno, a ficha, o trabalho para o professor escrever “Que lindo!”, “Que maravilha”, e se aquilo não é escrito, não há um selo de validade, quer dizer, o aluno fica na dependência do professor para aceitar que a sua tarefa está bem cumprida, está adequadamente resolvida. E se, pelo contrário, em vez de elogios, nós devolvemos perguntas para os alunos ou dando parâmetros daquilo que realmente está bem atingido, bem feito e aquilo que ainda não está bem feito, tem um exemplo diferente no aluno. Por exemplo, “tô achando aqui que você teve uma boa ideia inicial, mas não desenvolveu muito bem. Você não quer experimentar esse ponto, esse ponto aqui; tem uns dois pontos aqui que você poderia desenvolver melhor”. Isso é diferente, é diferente do simplesmente “Parabéns”. E parabéns pelo quê?</p>
<p>Por outro lado tem o elogio oral na frente de toda a turma. Esse é mais complicado. No momento em que se elogia um aluno em público, diante de todos os seus colegas, significa que, na verdade, o resto da turma está toda “deselogiada”. Vamos explicar isso. Quando o professor pergunta assim: “Quem saberia dizer o que significa mercantilismo?”. Aí aquelas mãos se levantam: “Eu!”, “Eu!”, “Eu!”. O professor pega o primeiro que diz: “Mercantilismo tem a ver com mercado”. Aí o professor não gosta muito daquela resposta, fica quieto. “Bom, vamos ver uma outra resposta”, aí vem uma outra resposta, um outro dedinho levantado e aí dá um conceito que o professor acha adequado e aí ele diz: “Muito bem, fulano!”. Como é que se sente o cicrano que deu a primeira resposta? É um deselogio automático, é quase que uma reprimenda.</p>
<p>Melhor do que um elogio à pessoa, o que se pode fazer é aproveitar as contribuições dos alunos e costurá-las entre si de modo a fazer um pensamento da turma. Então: uma parte da definição foi dada aqui, uma outra parte foi dada lá, um terceiro elemento foi dado por um outro aluno e aí o professor costura as ideias para fazer um conceito, para fechar uma ideia, enfim, para resumir alguma coisa.</p>
<p>Pense sobre isso, fique matutando!</p></blockquote>
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		<title>Entre os muros da escola</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 23:28:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cineminholas]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[heteronomia]]></category>
		<category><![CDATA[relações grupais]]></category>
		<category><![CDATA[relações interpessoais]]></category>

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		<description><![CDATA[Que grande filme! Com tantas nuances de relações interpessoais que desvela, principalmente as de natureza multiculturalista, fica difícil eleger apenas um aspecto para caraminholar aqui&#8230; Mas como a relação do professor com a turma oscilou muito entre os eixos vertical e horizontal, esse tema acabou por merecer o foco desta Cineminhola. No imediatismo de tantas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que grande filme! Com tantas nuances de relações interpessoais que desvela, principalmente as de natureza multiculturalista, fica difícil eleger apenas um aspecto para caraminholar aqui&#8230; Mas como a relação do professor com a turma oscilou muito entre os eixos vertical e horizontal, esse tema acabou por merecer o foco desta <em>Cineminhola</em>. No imediatismo de tantas situações tensas e desafiantes para os professores nos dias de hoje, fica difícil ter controle sobre tudo o que se diz. Além do mais é irreal pretender ser profissional em todos os minutos de todos os dias. Trata-se aqui, portanto, não de julgar ou prescrever mas de fornecer elementos para que educadores possam incorporar mais um conceito ao seu fazer cotidiano.</p>
<p>A grosso modo, uma relação vertical entre professor e aluno deixa bem claro quem manda no pedaço: é o professor. Por contraste, horizontalizar-se com os alunos significa estar no mesmo nível que eles. Assim dito, pode parecer que uma escola tradicional prefere que as relações professor-aluno sejam verticais, ao passo que uma escola progressista tenderá a adotar uma abordagem horizontal. Mas não é bem assim.<span id="more-44"></span></p>
<p>A dimensão vertical não precisa (nem deve!) ser exercida de modo ditatorial, que silencie o desejo e a palavra do aluno. Diferentemente disso e mesmo com o propósito de manter inequívoca a mensagem de que a autoridade é exercida pelo professor, é desejável que o professor ouça seus alunos, consulte-os a respeito de vários aspectos da vida escolar e que considere suas opiniões e comentários ao tomar decisões. Mas espera-se, também, que o professor tome decisões fundamentadas e não motivadas por emoções impulsivas e irrefletidas. Agindo sempre de modo profissional, o professor pode, mesmo numa relação verticalizada, divertir-se com seus alunos no recreio, seja jogando bola, cantando ou contando história. O que não pode é sair do lugar profissional que é pago para ocupar e se tornar tão criança ou adolescente quanto o aluno, misturando-se com ele num bate-boca de igual para igual.</p>
<p>Um exemplo de atuação adequada no eixo vertical por parte do professor François, no filme, é quando ele não embarca na provocação de um aluno que lhe diz para calar a boca por meio de uma citação filosófica. Em vez de se ofender, François aproveita a oportunidade para incentivar esse aluno a contribuir com mais conteúdos desse quilate. Contudo, ele se horizontaliza quando bate um pingue-pongue de sim-e-não com uma aluna que diz que ele pega pesado com a turma, ele responde que não, outra aluna diz que sim e fica por isso mesmo. Há vários outros exemplos de verticalidade e horizontalidade no filme e vale a pena revê-lo para procurar compreender melhor esses conceitos a partir de um filme que brilhou na encruzilhada entre documentário e ficção.</p>
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