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	<title>Caraminhadas &#187; sala de aula</title>
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	<description>A sua revista interativa sobre educação</description>
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		<title>Tempos da aula &#8211; Recursos para disparar a aula</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 22:32:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[EstudiosaMENTE]]></category>
		<category><![CDATA[conhecimentos prévios]]></category>
		<category><![CDATA[contextualização]]></category>
		<category><![CDATA[didática]]></category>
		<category><![CDATA[esquemas de aprendizagem]]></category>
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		<description><![CDATA[Este ESTUDIOSAMENTE abre uma série de três artigos contendo reflexões sobre a aula a partir dos seus tempos.
Uma aula possui, grosso modo, três tempos ou momentos: início da aula, aula propriamente dita e término da aula. Dito assim, parece simplório e irrelevante mas a importância de se recortar a aula se explica pelo fato de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este ESTUDIOSAMENTE abre uma série de três artigos contendo reflexões sobre a aula a partir dos seus tempos.</p>
<p>Uma aula possui, grosso modo, <a href="http://www.linhamestra.com/livros/conversas/mestre.html"><span style="color: #0000ff;"><span style="text-decoration: underline;">três tempos</span></span></a> ou momentos: início da aula, aula propriamente dita e término da aula. Dito assim, parece simplório e irrelevante mas a importância de se recortar a aula se explica pelo fato de que, para podermos planejar intervenções que melhorem de fato a aprendizagem dos alunos, é preciso analisar criteriosamente como as aulas estão sendo dadas.</p>
<p>O recorte temporal em distintas categorias cumpre bem esse papel porque direciona e apura o olhar para os fenômenos que ocorrem em cada parte da aula e isso favorece o desenvolvimento de uma linguagem que dê conta de se falar de modo crescentemente profissional sobre o assunto. O importante é entender que cada tempo da aula, de acordo com sua especificidade, precisa estar comprometido em contribuir para a aprendizagem do aluno, e é preciso saber avaliar como cada um deles está cumprindo esse papel.<span id="more-301"></span></p>
<p>A análise de um conjunto de aulas pode indicar, por exemplo, que as estratégias utilizadas no decorrer da aula estão ricas, variadas e interessantes mas que a ausência sistemática de abertura e de fechamento de cada aula está ocasionando uma falta de costura entre elas. É aquela situação em que os alunos gostam das aulas mas a turma está com excesso de notas baixas. O motivo? Talvez os alunos não estejam conseguindo conformar um conjunto que faça sentido e quando não há sentido a aprendizagem dificilmente acontece.</p>
<p>Feita esta breve introdução sobre os tempos da aula, concentremos aqui a atenção sobre a primeira parte da trilogia, que apresenta e discute o primeiro tempo de aula.</p>
<p>A categoria temporal “início da aula”, que, obviamente, se ocupa dos minutos de abertura, precisa dar conta de três objetivos: (a) contextualizar o tema da aula para os alunos a fim de que compreendam tanto a sua relevância quanto a sua inserção no conjunto de estudos que estão sendo realizados naquela matéria; (b) convocar os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema; e (c) acionar os esquemas de aprendizagem dos alunos.</p>
<p>O termo <a href="http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=55"><span style="color: #0000ff;"><span style="text-decoration: underline;">contextualização</span></span></a> instaurou-se oficialmente no cenário escolar no cenário do nascimento da LDB (Lei de Diretrizes e Bases), em 1996. <strong>Contextualizar um conteúdo para o aluno significa, em linhas gerais, indicar as relações que tal conteúdo mantém com a vida real</strong> (o que, via de regra, o relaciona com diversos conteúdos, tanto dentro de uma mesma área como também de várias outras) e situá-lo historicamente, isto é, explicar como e por que foi criado ou desenvolvido. Todo conhecimento é uma construção humana; nesta condição, apresenta uma inserção na vida humana e isso precisa ser explicitado para o aluno.</p>
<p>Além de contextualizar, é próprio do tempo inicial da aula buscar saber que informações, ideias, crenças etc. os alunos já possuem sobre o tema. Essa iniciativa abriga um rico potencial de dados sobre os <strong>conhecimentos prévios dos alunos</strong>, que pode servir de base para uma avaliação prévia, por parte do professor, do ponto de partida em que eles se encontram em relação ao assunto a ser tratado naquela aula. Assim, pode ser que o professor tenha imaginado que precisaria, ele próprio, trazer certas informações iniciais para os alunos e, nesse momento, perceber que eles já as possuem. Nesse caso, o professor poderá ajustar o seu planejamento e, em vez de trazer tais informações, perceber que precisa, na verdade, ajudar os alunos a levá-las do nível do senso comum para o (cada vez mais) científico.</p>
<p>Finalmente, também cabe ao tempo inicial da aula a incumbência de <strong>acionar os esquemas de aprendizagem dos alunos</strong>. Os esquemas são como ferramentas: é o que se utiliza para realizar alguma ação. Assim, ter esquema para recortar uma gravura com tesoura supõe que se tenha os esquemas de manejar a tesoura em linha reta e em linha curva. Alguma criança terá o esquema necessário para recortar em linha reta mas não ainda em linha curva. Da mesma forma, ter os esquemas necessários para produzir um pensamento crítico em relação à posição de um determinado pensador a respeito do aquecimento global, supõe entender que será necessário compará-la com uma posição contrária, destacando e comentando pontos de semelhança e diferença importantes entre ambas e, a seguir, fechar as ideias apresentadas por meio de uma conclusão.</p>
<p>Não se nasce sabendo fazer esse tipo de coisa. Muito pelo contrário, são necessárias infinitas oportunidades para se aprender a desenvolver esquema complexos como esse. Por isso, é importante assinalar para os alunos que tipo de ação &#8211; sensório-motora, simbólica ou lógica &#8211; se espera dele naquela aula. Há aulas voltadas para a conceituação de algum termo. Em outras, o interesse do professor é que o aluno caracterize certos fatos, fenômenos, personagens etc., ou que construa um sistema de relações de causalidade entre eles. Em cada ocasião dessas, os esquemas convocados são diferentes e muito ajuda se o professor apertar, logo de saída, os “botões” que acionam a aprendizagem a partir do uso de certo esquema ou esquemas.</p>
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		<title>Sociedade dos poetas mortos</title>
		<link>http://www.caraminhadas.com.br/2009/09/sociedade-dos-poetas-mortos/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 12:41:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cineminholas]]></category>
		<category><![CDATA[alinhamento pedagógico]]></category>
		<category><![CDATA[criticidade]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[sala de aula]]></category>

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		<description><![CDATA[Princípios e práticas da escola precisam se alinhar
O ano é 1959. No início do filme, a entrada dos alunos no hall de um internato para rapazes fornece imediata e clara mensagem de que a ação se passará em um ambiente austero e tradicional. Os indicadores estão todos lá: a atitude solene de todos os participantes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-251" title="spm" src="http://www.caraminhadas.com.br/wp-content/uploads/2009/09/spm.jpg" alt="Poster do Filme" width="180" height="227" /><strong>Princípios e práticas da escola precisam se alinhar</strong></p>
<p>O ano é 1959. No início do filme, a entrada dos alunos no hall de um internato para rapazes fornece <strong>imediata e clara mensagem</strong> de que a ação se passará em um ambiente austero e tradicional. Os indicadores estão todos lá: a atitude solene de todos os participantes da cena, o impecável uniforme dos estudantes, os estandartes com o brasão da instituição e com os princípios, a entoação do hino da escola.</p>
<p>Quando o diretor abre seu discurso enfatizando os cem anos de fundação da escola e lembrando que esta tem como base os princípios de “tradição, honra, disciplina e excelência”, a informação chega a ser redundante já que tudo ali o prenuncia. O que salta aos olhos é essa <strong>magnífica consonância entre o que é dito e o que é feito</strong>, ou seja, entre príncipios e práticas. Nesse caso, diz-se que é uma <strong><em>escola alinhada</em></strong>.</p>
<p>Mas eis que a escola contrata um professor de Língua Inglesa que <strong>introduz práticas de sala de aula que não se alinham com a identidade da escola</strong>. O filme se conduz de modo a levar-nos a tomar partido do professor e, por conseguinte, a condenar a escola. Por mais que sejam fascinantes a metodologia e os propósitos do novo professor, a verdade é que ele distoa da instituição em que aceitou trabalhar.<span id="more-244"></span></p>
<p>E não se pode dizer que ele entrou de inocente na história porque, afinal, ele próprio é ex-aluno. Além disso, se suas ideias inovadoras estavam libertando alguns de seus alunos e ajudando-os a desenvolver novos talentos, havia vários outros bastante desconfortáveis com tais ideias. O esforço de alinhamento entre princípios e práticas escolares pode causar marolas ou tormentas na escola. No filme, o caso é certamente de tormenta. E das grandes!</p>
<p>Nas escolas da atualidade, os projetos político-pedagógicos estão abarrotados de frases que indicam uma determinada intenção cuja tradução no concreto, no entanto, se faz mediante iniciativas que a contradizem por completo. <strong>E esse desalinhamento fica provocando marolas ou tormentas sem fim, seja por meio de desaprendizagens e indisciplina, seja por problemas de relacionamento</strong> em todas as instâncias – alunos e famílias que ficam perdidos sem entender o que esperar da escola ou o que a escola espera deles, professores de diferentes segmentos que trabalham em linhas conflitantes etc.</p>
<p>Para citar apenas <strong>um dos desalinhamentos mais comuns</strong>, consideremos o que se diz e o que se faz com <em>espírito crítico</em>. Diz-se que é objetivo da escola desenvolver a criticidade nos alunos mas a adoção de um livro didático único e a dinâmica de trabalho fortemente passiva e de orientação individual privilegiam o <strong>não diálogo</strong> entre professor e alunos, dos alunos entre si e entre autores de correntes rivais de pensamento. Impossível desenvolver espírito crítico sem marcante contribuição do debate, argumentação ou confronto!</p>
<p>Algumas perguntas bastante inquietantes podem ser levantadas nesse contexto a título de<strong> instigar o leitor a trazer contribuições para um debate conosco</strong>: um professor tem o direito de ferir os princípios de uma escola e, assim, causar desalinhamento entre o que se diz e o que se faz? Se, como no filme, uma prática inovadora trouxe amarras e desconfortos para certos alunos da mesma forma que as práticas tradicionais o faziam em relação a tantos outros, qual é a saída? É possível dinamizar e modernizar uma escola se seus princípios o condenam? Se os princípios da escola fossem autonomia e cidadania, que práticas se alinhariam com eles?</p>
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		<title>Estratégias antecipatórias</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 16:45:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matutes]]></category>
		<category><![CDATA[inferências]]></category>
		<category><![CDATA[interesses dos alunos]]></category>
		<category><![CDATA[sala de aula]]></category>
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		<description><![CDATA[
Alunos desinteressados na aula. Conhece esse filme? A falta de engajamento de muitos alunos nas atividades de sala pode ser revertida se eles forem desafiados a tentar adivinhar quais os efeitos de um certo fato ou fenômeno ou, ainda, o final da história que vai ser contada.
Heloisa Padilha discute a importância de se utilizar estratégias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- Smart Youtube --><span class="youtube"><object width="438" height="353"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/HHFtdu4IZIg&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=0&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><embed wmode="transparent" src="http://www.youtube.com/v/HHFtdu4IZIg&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=0&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="438" height="353" ></embed><param name="wmode" value="transparent" /></object></span></p>
<p>Alunos desinteressados na aula. Conhece esse filme? A falta de engajamento de muitos alunos nas atividades de sala pode ser revertida se eles forem desafiados a tentar adivinhar quais os efeitos de um certo fato ou fenômeno ou, ainda, o final da história que vai ser contada.</p>
<p>Heloisa Padilha discute a importância de se utilizar estratégias antecipatórias na sala de aula, na seção <em>Matutes</em> da revista CARAMINHADAS.<span id="more-230"></span></p>
<h3><strong>Ficha técnica da animação mencionada no Matutes</strong></h3>
<p><em>La Belle au Bois Dorrrrmant</em></p>
<p>Marcos Meneghetti<br />
França / France [2007]</p>
<p><em>A Bela Adorrrrmecida.</em> A bela princesa Clara dorme profundamente por causa de um feitiço. Somente o beijo de um belo príncipe poderá libertá-la dessa terrível maldição.</p>
<p><strong>duração:</strong> 00:04:45</p>
<p><strong>produção:</strong> Itecom ArtDesign</p>
<p><strong>técnica:</strong> computador 2D &amp; 3D</p>
<h3>Transcrição do vídeo</h3>
<blockquote class="video-transcript"><p>Olá, eu sou Heloisa Padilha e estou falando para a seção Matutes da Revista Caraminhadas. O tema de hoje é “estratégias antecipatórias”. Vou falar da importância de se preparar os alunos para o que vai acontecer numa aula ou numa atividade específica.</p>
<p>Vou começar contando uma história. Estava eu me programando para levar minhas afilhadas a uma sessão do Festival Anima Mundi, aquele maravilhoso festival de animações. A sessão que eu escolhi para levá-las apresentava uma porção de animações com temáticas, técnicas e nacionalidades variadas.</p>
<p>Sabendo que ia enfrentar longas filas de espera e, também, que as meninas poderiam ficar perdidas com tantos filmes numa sessão só, baixei da internet as sinopses e as imagens das animações e levei-as comigo, com a intenção de a gente bater ótimos papos na fila.</p>
<p>Uma das animações era sobre a Bela Adormecida e teria a duração de apenas 5 minutos. Perguntei às meninas o que elas achavam que ia acontecer naquele filme tão curtinho.</p>
<p>A menina mais nova, de 10 anos, disse “acho que o príncipe que vai acordar a Bela Adormecida é muito feio”. E ela descreveu o príncipe de uma maneira muito divertida, com detalhes de nariz, de cabelo e boca, e nos fez dar umas boas risadas! E não é que ela acertou em cheio? O príncipe era realmente um pavor e ela ficou, óbvio, felicíssima!</p>
<p>O mais bacana foi ver os palpites melhorando a cada antecipação porque elas iam utilizando de modo cada vez mais eficiente as informações das sinopses e das imagens de cada filme. E iam também argumentando e fundamentando melhor os seus palpites.</p>
<p>Sabe qual o resumo dessa história? O resumo dessa história é o seguinte: ocupadas em ficar dando palpite sobre o que ia acontecer em cada filme, o tempo passou rapidinho e nos divertimos à beça.</p>
<p>Essa brincadeira de tentar adivinhar a história que vai ser lida, o resultado de uma experiência que será feita na aula de Ciências, as consequências de uma determinada guerra ou o resultado aproximado de uma conta de dividir – essa brincadeira tem um efeito importantíssimo na aprendizagem.</p>
<p>É o efeito de acionar no aluno o que se chama de “esquemas antecipatórios”. Acionar esquema antecipatório significa fazer com que o aluno ligue os “botões do pensamento” que serão necessários para a atividade que vai acontecer.</p>
<p>O principal desses botões é o das <strong>inferências</strong>, quer dizer, o estabelecimento de relações entre os elementos do texto ou da circunstância para poder criar hipóteses ou conclusões.</p>
<p>Por exemplo, no caso da animação da Bela Adormecida, é pensar que se algumas pessoas resolveram fazer um filminho de apenas 5 minutinhos envolvendo a Bela Adormecida, que é um tema super batido, a hipótese é que o objetivo seria desconstruir um aspecto consagrado da história e, assim, fazer a gente rir.</p>
<p>Fazer inferências ANTES de estudar um certo tema (ou de ler algum texto) coloca o aluno no lugar certo: o lugar de ser agente da sua própria aprendizagem. Se ele chuta um palpite antecipatório, ele vai entrar no estudo motivado pra saber se ele tinha razão com seu chute. E assim, querendo cada vez mais acertar seus palpites, vai aumentando sua capacidade de perceber e de estabelecer relações entre as pistas que estão por toda parte, dentro e fora dos textos escolares.</p>
<p>Agora é a sua vez: quem sabe você experimenta desafiar seus alunos ou seus filhos a anteciparem o desenvolvimento ou o final de algum processo ou de alguma história?</p>
<p>Matute sobre isso e depois venha trocar suas experiências com a gente!</p></blockquote>
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		<title>Diagnóstico dos problemas de elaboração de resumo, e sequência didática para ensinar a fazê-lo – Parte III</title>
		<link>http://www.caraminhadas.com.br/2009/09/diagnostico-dos-problemas-de-elaboracao-de-resumo-e-sequencia-didatica-para-ensinar-a-faze-lo-%e2%80%93-parte-iii/</link>
		<comments>http://www.caraminhadas.com.br/2009/09/diagnostico-dos-problemas-de-elaboracao-de-resumo-e-sequencia-didatica-para-ensinar-a-faze-lo-%e2%80%93-parte-iii/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 13:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[EstudiosaMENTE]]></category>
		<category><![CDATA[competências]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[resumo]]></category>
		<category><![CDATA[sala de aula]]></category>

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		<description><![CDATA[Heloisa Padilha
Este artigo apresenta a “técnica das reticências numeradas” aplicada a textos escolares, e finaliza a série Diagnóstico dos problemas de elaboração de resumo e sequência didática para ensinar a fazê-lo – Parte I e Parte II.
Princípio da técnica
A técnica das reticências numeradas, que aplicamos a resumo de filmes na Parte II desta série de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Heloisa Padilha</em></p>
<p>Este artigo apresenta a “técnica das reticências numeradas” aplicada a textos escolares, e finaliza a série <em>Diagnóstico dos problemas de elaboração de resumo e sequência didática para ensinar a fazê-lo –</em><strong> <a href="http://www.caraminhadas.com.br/2009/06/diagnostico-dos-problemas-de-elaboracao-de-resumo-e-sequencia-didatica-para-ensinar-a-faze-lo-%E2%80%93-parte-i/">Parte I</a></strong> e <a href="http://www.caraminhadas.com.br/2009/07/diagnostico-dos-problemas-de-elaboracao-de-resumo-e-sequencia-didatica-para-ensinar-a-faze-lo-%E2%80%93-parte-ii/"><strong>Parte II</strong></a>.</p>
<h3><strong>Princípio da técnica</strong></h3>
<p>A técnica das reticências numeradas, que aplicamos a resumo de filmes na <a href="http://www.caraminhadas.com.br/2009/07/diagnostico-dos-problemas-de-elaboracao-de-resumo-e-sequencia-didatica-para-ensinar-a-faze-lo-%E2%80%93-parte-ii/">Parte II</a> desta série de artigos, pode ser utilizada em qualquer texto escolar porque o nosso pressuposto é o de que nenhum texto está completo, finalizado. Em qualquer um, é possível apontar diversos pontos que poderiam ser expandidos com mais informações ou com elementos linguísticos – adjetivos, advérbios – que dariam mais vida ao texto. Comecemos com um exemplo bem simples. O trecho a seguir aceitaria, sem dificuldade, enxertos (indicados por meio de reticências) nos pontos assinalados com números (daí o nome “reticências numeradas”):<span id="more-217"></span></p>
<p>Em 1492, a Espanha (&#8230;1) dá início à sua expansão (&#8230;2) depois de expulsar os mouros da Península (&#8230;3). A rota escolhida foi pelo ocidente (&#8230;4) para poder alcançar o oriente (&#8230;5), pois Colombo (&#8230;6) queria provar que a terra era redonda. Acabou descobrindo a América, terra que seria (&#8230;7) disputada pelas potências européias (&#8230;8).</p>
<p>As reticências acima numeradas poderiam ser preenchidas com informações da seguinte natureza, respectivamente:</p>
<p>(&#8230;1) “que na época era governada pela rainha Isabel”</p>
<p>(&#8230;2) indicar o tipo de expansão – no caso, “marítima”</p>
<p>(&#8230;3) “Ibérica”</p>
<p>(&#8230;4) indicar o ponto de partida da rota</p>
<p>(&#8230;5) indicar o ponto de chegada da rota</p>
<p>(&#8230;6) apresentar algum ou alguns dados sobre ele</p>
<p>(&#8230;7) acrescentar um advérbio, como “ferrenhamente” ou “duramente”</p>
<p>(&#8230;8) citar as potências</p>
<h3><strong>Como o professor pode conduzir a atividade?</strong></h3>
<p>É interessante disparar a atividade por meio de uma proposta coletiva, isto é, para toda a turma. O professor pode projetar um trecho do livro didático (ou distribuir cópias para todos os alunos) com indicação de 3-4 reticências numeradas e perguntar aos alunos que tipo de informação poderia ser inserida ali. Não é necessário que eles saibam exatamente o dado a ser inserido, mas que discutam se a informação a ser acrescentada pode ser uma data, um nome, um adjetivo, um advérbio ou qualquer outro complemento da informação já existente. É interessante pedir que os alunos justifiquem suas sugestões com bons argumentos.</p>
<p>Incentive os alunos a indicar outros pontos do texto que aceitariam inserções. Aproveite bem o fato de que vários alunos assim em conjunto podem chegar a um montante bastante grande de informações. Um quantitativo grande de sugestões é bom para se passar à próxima etapa, que é decidir se os acréscimos são essenciais ou periféricos. Voltando-se ao exemplo acima, <em>não</em> seria relevante acrescentar que idade a rainha Isabel tinha quando Colombo partiu para sua viagem de descobrimento da América.</p>
<p>Depois do debate, os alunos, individualmente ou em dupla, poderiam reescrever o trecho original inserindo as informações que julgar mais relevantes. Na sequência, seria muito produtivo trocar os textos para comparar as novas versões e, nessa ocasião, os alunos podem ser incentivados a expressar sua opinião (fundamentada, é claro) sobre os textos dos colegas.</p>
<p>Num segundo momento, pode-se fazer o caminho inverso: cortar todas as informações de um texto escolar até deixá-lo com o menor tamanho possível sem que as ideias principais se percam. O professor pode disparar a atividade sugerindo que sejam feitos, por exemplo, de 3-4 cortes no texto. A seu critério, pode desafiar os alunos a cortar mais ainda. E repetem-se os procedimentos de julgar se as informações retiradas foram essenciais ou periféricas até que se chegue a um certo consenso na turma, gerando assim um texto informativo bem resumido, apenas com as informações julgadas as mais essenciais.</p>
<p>Reafirmando-se mais uma vez que saber fazer um bom resumo é parte necessária do estudar e que a competência fundamental envolvida no ato de resumir é <em>diferenciar informações</em> <em>essenciais</em> e <em>periféricas</em>, consideramos que a técnica de reticências numeradas pode ser uma ferramenta de grande valia para os alunos na longa trilha de construção das competências do estudar.</p>
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		<title>Preço do desafio</title>
		<link>http://www.caraminhadas.com.br/2009/08/preco-do-desafio/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 17:28:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cineminholas]]></category>
		<category><![CDATA[aprendizagem]]></category>
		<category><![CDATA[autoestima]]></category>
		<category><![CDATA[sala de aula]]></category>
		<category><![CDATA[sucesso e fracasso escolar]]></category>

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		<description><![CDATA[“Não quero me operar nesse hospital porque ele tem um altíssimo índice de êxito cirúrgico.”
Esta frase enuncia um contrassenso tão estapafúrdio que dificilmente encontrará alguém que com ela concorde. No entanto, nesse filme, que é baseado em fatos reais, o pleno êxito de todos os alunos considerados “inaptos”, em um exame nacional de cálculo avançado, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><img class="alignright size-full wp-image-265" title="preco-desafio" src="http://www.caraminhadas.com.br/wp-content/uploads/2009/10/preco-desafio.jpg" alt="preco-desafio" width="200" height="306" />“Não quero me operar nesse hospital porque ele tem um altíssimo índice de êxito cirúrgico.”</p></blockquote>
<p>Esta frase enuncia um contrassenso tão estapafúrdio que dificilmente encontrará alguém que com ela concorde. No entanto, nesse filme, que é baseado em fatos reais, o pleno êxito de todos os alunos considerados “inaptos”, em um exame nacional de cálculo avançado, desperta imediata desconfiança não só fora da escola como dentro dela mesma. O governo designa uma equipe para investigar o improvável sucesso e, mesmo não conseguindo provar que houve fraude, os alunos tiveram que refazer o dito exame.</p>
<p>Esse é o foco do filme e, a partir dele, vale repensar o que se espera dos alunos nos exames escolares.<span id="more-181"></span></p>
<p>Duas linhas de indagação são boas para dar início a um debate.</p>
<ol>
<li>Será que a escola não tem uma expectativa pré-fabricada dos resultados dos alunos em testes, provas e que tais? Pode-se não saber exatamente qual o percentual aceitável em cada uma das categorias gerais de proficiência (alta, média e baixa), mas é certo que se rejeita um resultado de 100% de sucesso no topo da escala. Ora, se há rejeição desses 100%, é de se supor que haja um outro percentual que se reconheça como “legítimo” e ele não está abertamente declarado em nenhum lugar. Dá para se desconfiar de sua existência justamente no momento em que se depara com uma forte reação aos 100%.</li>
<li>Por que o sucesso de uma turma inteira, mesmo que legitimamente conquistado, é visto como da ordem do impossível? Por que o sucesso tem que ser construído em cima de um fracasso? Se a pedagogia produz uma quantidade expressiva de conhecimento, desaguando dados de pesquisas sobre todos os fenômenos com que nos deparamos nas mais variadas situações de ensino e aprendizagem, por que não é possível que a escola se torne mais e mais eficiente na produção de sucessos escolares? E não é exatamente esse o resultado que se espera de um educador que estuda muito, envolve os alunos numa atmosfera altamente positiva e direciona intencionalmente sua ação para que os alunos alcancem bons níveis de aprendizagem?</li>
</ol>
<p>O filme consegue mostrar bem todos os ingredientes do processo que leva ao êxito: variados caminhos para aprendizagem dos conhecimentos, conexão destes com a vida dos alunos e doses maciças de autoestima. Nada como ter alguém do nosso lado urrando-nos incansavelmente ao ouvido o quão lindos e maravilhosos podemos ser!</p>
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		<title>Escritores da liberdade</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 14:53:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cineminholas]]></category>
		<category><![CDATA[aprendizagem]]></category>
		<category><![CDATA[didática]]></category>
		<category><![CDATA[programa e conteúdos]]></category>
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		<description><![CDATA[A quem a escola deve ser fiel: ao aluno ou ao programa?
Muito se fala, ainda nos dias de hoje, embora com uma terminologia meio anos 70-80, que “o aluno deve ser o centro do processo educativo”. O século XXI derrubou a idéia de “centro” já que a interpenetração ou inter-relação entre os diversos campos do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A quem a escola deve ser fiel: ao aluno ou ao programa?</strong></p>
<p>Muito se fala, ainda nos dias de hoje, embora com uma terminologia meio anos 70-80, que “o aluno deve ser o centro do processo educativo”. O século XXI derrubou a idéia de “centro” já que a interpenetração ou inter-relação entre os diversos campos do saber foi substituída pelas imagens de “rede” e de “rizoma”. Mas, nem por isso podemos afastar o aluno do foco principal da preocupação escolar porque, afinal, a escola deveria ser, de fato, para o aluno. O problema é como se operacionaliza isso&#8230;</p>
<p>O filme <em>Escritores da liberdade</em> encara essa questão a fundo. Percebendo que os conteúdos programáticos de sua matéria não tinham a menor relação com a vida de seus alunos – adolescentes maltratados pelo duríssimo cotidiano de luta pela própria sobrevivência numa comunidade extremamente violenta –, a professora Erin (de Língua Inglesa) <strong>opta por abandonar seus planos iniciais de aula e ir ao encontro das angústias que tanto os perturbavam</strong>.<span id="more-171"></span></p>
<p>Se a vida deles era permeada de intolerância, ódio e preoconceito, então era disso que se deveria falar. Começou, então, por  apresentar a seus alunos um outro tempo e um outro espaço em que a humanidade já vivera dessa forma: o holocausto. Conhecendo a história de milhares de outras pessoas que, como eles, haviam vivido em ambiente de extrema violência, os alunos encontraram sua própria voz e desandaram a deixar escoar suas próprias histórias por meio da escrita diária.</p>
<p>O que dizer dessa iniciativa de Erin? Deixou ela de dar aulas de sua matéria? Deturpou seus objetivos? É assim que seus colegas e a chefe do seu departamento encaram o que Erin fez. Na verdade, justamente por ter promovido alterações profundas e radicais no seu programa para adequá-lo às reais necessidades de seus alunos é que Erin acaba se destacando por ser a professora que guardou maior fidelidade aos objetivos do ensino da língua materna: <strong>conseguiu fazer com que seus alunos passassem a ler e a escrever</strong>, coisa em que seus colegas fracassavam há tempos!</p>
<p>Daí a pergunta-título desta Cineminhola: a quem deve a escola ser fiel – ao aluno ou ao programa? Essa indagação não deve nos jogar diante de dilemas do tipo “ou dou minhas aulas a sério ou levo as coisas na brincadeira”. Esta é uma falsa dicotomia. Se me mantenho firmemente dedicado aos objetivos do trabalho, encontro um enorme leque de maneiras para atingi-los. Se achar conveniente, posso lançar mão de estratégias como cantar, dançar e passear com meus alunos sem gerar bandalha alguma, como Erin fez. Contrariamente a isso, alinham-se diversos professores e escolas que, num respeito praticamente religioso ao programa, acabam abrindo mão do compromisso e da responsabilidade para com a aprendizagem de seus alunos.</p>
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		<title>Criatividade na escola</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jul 2009 01:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matutes]]></category>
		<category><![CDATA[criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[sala de aula]]></category>
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Como se desenvolve a criatividade? O que o professor pode fazer para que seus alunos sejam criativos ao produzir um texto ou fazer um desenho? Muitas vezes a criatividade é associada ao “laissez-faire” (“deixa-rolar”), mas é melhor que a proposta de trabalho contenha um desafio porque a criatividade costuma ser a solução para problemas causados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- Smart Youtube --><span class="youtube"><object width="438" height="353"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7r05T0f7rTo&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=0&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><embed wmode="transparent" src="http://www.youtube.com/v/7r05T0f7rTo&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=0&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="438" height="353" ></embed><param name="wmode" value="transparent" /></object></span></p>
<p>Como se desenvolve a criatividade? O que o professor pode fazer para que seus alunos sejam criativos ao produzir um texto ou fazer um desenho? Muitas vezes a criatividade é associada ao “laissez-faire” (“deixa-rolar”), mas é melhor que a proposta de trabalho contenha um desafio porque a criatividade costuma ser a solução para problemas causados pelo obstáculo. Heloisa Padilha discute as condições necessárias para se desenvolver a criatividade na sala de aula, na seção <em>Matutes</em> da revista CARAMINHADAS.<br />
<span id="more-160"></span></p>
<h3>Transcrição do vídeo</h3>
<blockquote class="video-transcript"><p>Olá, eu sou Heloisa Padilha e estou falando para seção Matutes da Revista Caraminhadas. O tema de hoje é criatividade na sala de aula, mais especificamente as condições que favorecem o desenvolvimento da criatividade.</p>
<p>O que se pensa sobre criatividade na escola? Normalmente isso está associado a uma situação de deixar tudo por conta da criança, uma situação de laissez faire, de ficar totalmente à vontade, seja ao fazer um desenho, seja ao produzir um texto, tudo fica por conta da criança: o tema, se vai colorir, se não vai colorir, qual é a história que vai contar, o tamanho da história; como se fosse aquela oportunidade única da criança se expressar livremente.</p>
<p>Na verdade, a criatividade pinta se as condições favoráveis forem as adequadas. Vou contar para vocês, por exemplo, a história de certos jardins ingleses. Algumas pessoas na Inglaterra, que gostam muito de certos animais silvestres comuns naquele país, não gostam de tê-los enjaulados, preferem tê-los, assim, na natureza, soltos no seu jardim. O que eles fazem? Eles criam todas as condições necessárias para que aquele animal venha espontaneamente ao seu jardim. Então se uma certa ave, sei lá, um pardal, um melro ou até um mamífero pequeno, o ouriço, que é muito popular na Inglaterra, se eles gostam muito desses animais, eles estudam a vida desses animais e se, por exemplo, um pardal gosta de fazer um ninho numa árvore alta, por exemplo -- não sei se é verdade – eles então colocam uma árvore bastante alta, ou uma vegetação densa para que o animal possa criar ali uma toca e se esconder. Eles criam essas condições e os animais passam, então, a freqüentar o seu jardim. Olha que idéia bacana!</p>
<p>Com a criatividade é, mais ou menos, a mesma coisa. Criadas as condições dentro da sala de aula, ela realmente acontece. Por exemplo, comigo, eu gosto muito de escrever poemas, adoro escrever, mas não é uma coisa assim que eu possa sentar aqui agora, pegar um papel, “Escreva um poema!”. Não é assim que funciona. Para mim, por exemplo, se eu estiver no meio da natureza, do verde, de preferência, se eu estiver sozinha. São duas condições que facilitam essa produção.</p>
<p>Bom, isso no que diz respeito às condições externas, do ambiente, para facilitar a criatividade. Mas é claro que não é só isso. A própria proposta de trabalho, ela precisa estar favorecendo a criatividade e, como eu já disse, se deixar tudo livre por conta do aluno, não é isso que vai ajudar. O que vai proporcionar uma condição melhor de criatividade é a inserção de algum tipo de empecilho, algum tipo de obstáculo, algum tipo de desafio. A história da humanidade é cheia de exemplos de como a humanidade foi crescendo justamente diante das dificuldades, foi criando, foi descobrindo, foi inventando soluções para os novos problemas. Por exemplo, a minha mão é limitada em termos de tamanho, em termos de suportar temperatura, então eu fui criando a luva para eu poder segurar uma coisa muito quente, eu fui criando objetos cumpridos para poder alcançar coisas distantes que a minha mão não chega em lugares muito pequenos.</p>
<p>Da mesma forma, dentro de um texto, se eu disser, por exemplo, “Vamos agora escrever a história do Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, pelo ângulo do Lobo Mau”. Isso é um desafio e que permite a criatividade do aluno, mas dá um contexto, coloca diante de um obstáculo específico que é uma novidade para ele. Ele não conhece a história do Chapeuzinho Vermelho pelo ângulo do Lobo Mau.</p>
<p>Vamos ver no desenho: no desenho, eu posso criar um dificultador em relação ao tamanho do papel. “Você vai fazer um desenho, mas tem que ser neste tamanhinho aqui de papel” ou, ao contrário, “Você tem que ocupar este papel inteiro aqui com seu desenho, vamos tentar!”, ou então eu dou só duas cores, ou então eu digo “Está bom, você escolhe o animal que você quer desenhar, mas desenhe-o em várias posições”.<br />
Então, é um interjogo de oferece uma condição, delimita uma condição e solta o resto. É nesse inter jogo que a criatividade acontece.</p>
<p>E você, professor, quais as condições que você precisaria proporcionar na sua de aula para que seus alunos seja criativos? Matute sobre isso e depois partilhe suas idéias com a gente!</p></blockquote>
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		<title>Elogio na sala de aula</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 14:12:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>belpadilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matutes]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[elogio]]></category>
		<category><![CDATA[heteronomia]]></category>
		<category><![CDATA[relações interpessoais]]></category>
		<category><![CDATA[sala de aula]]></category>
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Você gosta de receber um bom elogio? Pois é, como parece que todo mundo gosta, a prática de elogiar alunos oralmente, diante da turma, ou por escrito, nos trabalhos escolares, tem sido amplamente utilizada por educadores, provavelmente com a intenção de estimular os demais alunos a seguirem o exemplo dos elogiados. Mas será que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- Smart Youtube --><span class="youtube"><object width="438" height="353"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jqfOL-TCrSk&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=0&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><embed wmode="transparent" src="http://www.youtube.com/v/jqfOL-TCrSk&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=0&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="438" height="353" ></embed><param name="wmode" value="transparent" /></object></span></p>
<p>Você gosta de receber um bom elogio? Pois é, como parece que todo mundo gosta, a prática de elogiar alunos oralmente, diante da turma, ou por escrito, nos trabalhos escolares, tem sido amplamente utilizada por educadores, provavelmente com a intenção de estimular os demais alunos a seguirem o exemplo dos elogiados. Mas será que o elogio atende a esse propósito? Heloisa Padilha discute a eficácia do elogio aqui na seção <em>Matutes</em> da revista CARAMINHADAS.<br />
<span id="more-55"></span></p>
<h3>Transcrição do vídeo</h3>
<blockquote class="video-transcript"><p>Vamos falar sobre o elogio em sala de aula. Devemos elogiar o aluno? Elogiar oralmente, na frente da turma toda? Elogiar por escrito? E se for bom elogiar por escrito, o que escrever? “Que lindo!”, “Parabéns!”, “Maravilha!”, “Continue assim!”. Será que essas falas dos professores, seja oralmente, seja por escrito, será que elas realmente atingem o objetivo de estimular o aluno? Muitos professores dirão: “Claro! Quem não gosta de um bom elogio?”</p>
<p>Mas, na verdade, o elogio é uma ferramenta de heteronomia. Heteronomia significa reger-se pela regra do outro; seguir o que o outro diz, o parâmetro do outro. Eu preciso da presença do outro, da fala do outro, das indicações do outro para poder saber o que eu vou fazer, o que eu posso fazer. E será que isso é o que a gente realmente quer dos alunos?</p>
<p>Na verdade quando a gente trabalha com elogio cria-se uma dependência que pode ser interessante de início, caso você esteja com uma turma muito complicada, mas pode ser um tiro no pé, porque se você não sair dessa condição de elogio, o aluno tenderá a ficar dependendo desse elogio para poder produzir. Isso não é um bom motivo para um aluno realmente criar algum texto, realizar um trabalho de boa qualidade. Na verdade, a recompensa não deveria vir de fora, e sim de dentro, do grande prazer de aprender, do prazer de resolver uma tarefa complexa.</p>
<p>E o elogio, se feito por escrito, ele cria essa dependência de que eu estava falando, e aí você vê aquela fila de alunos de séries iniciais do ensino fundamental, aquela fila de alunos pedindo, querendo o caderno, a ficha, o trabalho para o professor escrever “Que lindo!”, “Que maravilha”, e se aquilo não é escrito, não há um selo de validade, quer dizer, o aluno fica na dependência do professor para aceitar que a sua tarefa está bem cumprida, está adequadamente resolvida. E se, pelo contrário, em vez de elogios, nós devolvemos perguntas para os alunos ou dando parâmetros daquilo que realmente está bem atingido, bem feito e aquilo que ainda não está bem feito, tem um exemplo diferente no aluno. Por exemplo, “tô achando aqui que você teve uma boa ideia inicial, mas não desenvolveu muito bem. Você não quer experimentar esse ponto, esse ponto aqui; tem uns dois pontos aqui que você poderia desenvolver melhor”. Isso é diferente, é diferente do simplesmente “Parabéns”. E parabéns pelo quê?</p>
<p>Por outro lado tem o elogio oral na frente de toda a turma. Esse é mais complicado. No momento em que se elogia um aluno em público, diante de todos os seus colegas, significa que, na verdade, o resto da turma está toda “deselogiada”. Vamos explicar isso. Quando o professor pergunta assim: “Quem saberia dizer o que significa mercantilismo?”. Aí aquelas mãos se levantam: “Eu!”, “Eu!”, “Eu!”. O professor pega o primeiro que diz: “Mercantilismo tem a ver com mercado”. Aí o professor não gosta muito daquela resposta, fica quieto. “Bom, vamos ver uma outra resposta”, aí vem uma outra resposta, um outro dedinho levantado e aí dá um conceito que o professor acha adequado e aí ele diz: “Muito bem, fulano!”. Como é que se sente o cicrano que deu a primeira resposta? É um deselogio automático, é quase que uma reprimenda.</p>
<p>Melhor do que um elogio à pessoa, o que se pode fazer é aproveitar as contribuições dos alunos e costurá-las entre si de modo a fazer um pensamento da turma. Então: uma parte da definição foi dada aqui, uma outra parte foi dada lá, um terceiro elemento foi dado por um outro aluno e aí o professor costura as ideias para fazer um conceito, para fechar uma ideia, enfim, para resumir alguma coisa.</p>
<p>Pense sobre isso, fique matutando!</p></blockquote>
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